sexta-feira, 6 de maio de 2011

Giggs admite: final da Champions tem sabor a desforra

Ryan Giggs
Ryan Giggs acredita que a final da Liga dos Campeões entre Manchester United e Barcelona vai ser equilibrada, pois ambas as equipas têm valores semelhantes em todos os sectores. O veterano galês admite que o embate de Wembley vai saber a vingança pela derrota infligida pelo Barça, em Roma, na época 2008/2009.

«Eles são uma óptima equipa. Têm jogadores jovens que provavelmente estão muito confiantes por terem ganho a Liga dos Campeões e muitos deles venceram o Mundial. Mas nós temos muita experiência e fome de títulos. Estamos equilibrados em todos os sentidos», vincou o extremo em entrevista ao jornal inglês «The Telegraph», acrescentando que o United «vai tentar ferir o Barcelona como eles nos feriram».

Giggs admite que a derrota na final da Champions diante o Barcelona, por 2-0, foi um dos piores momentos da carreira e que agora o tempo devolveu a oportunidade para se redimir. «Nunca mais vi aquele jogo. O treinador provavelmente viu seis ou sete vezes, mas eu não», revelou. «Estás no sofá em casa e sabes que não jogaste muito bem, nem individualmente, nem como equipa. É o último jogo da temporada e nunca mais vais conseguir voltar atrás e estás simplesmente entalado», confessou.

Sobre o próximo jogo da Liga inglesa com o Chelsea, que pode muito bem decidir o campeão, Giggs diz que quer vencer de forma célere para se concentrarem plenamente na Liga dos Campeões. « (O Chelsea) É uma boa equipa e estão na melhor forma possível. Ambas as equipas têm noção que está acabado se nós vencermos. Apontamos para um desfecho rápido da Liga», rematou.

Campeões 2011!

Guerreiros rumo á final de Dublin!

UEFA: cinco jogos de castigo para Mourinho

A UEFA aplicou a José Mourinho uma sanção de cinco jogos, um dos quais de pena suspensa, pelas declarações após o Real Madrid-Barcelona da primeira mão da meia-final da Liga dos Campeões.

Como já cumpriu um jogo, na segunda mão no Camp Nou, o treinador português terá assim mais três pela frente, o que significa que falhará metade das partidas da fase de grupos da Liga dos Campeões da próxima época.

A UEFA anunciou o castigo a José Mourinho, lembrando que «foi expulso no jogo e fez um comentário inapropriado» após o mesmo, mas sem explicar qual a acusação concreta ao técnico, nem quais as declarações em causa.

Além da suspensão, José Mourinho vai ter de pagar 50 mil euros de multa. O jogo de pena suspensa é válido por três anos. Se reincidir, Mourinho terá de cumpri-lo.

O Real Madrid pode recorrer para o Comité de Apelo da UEFA e em última instância para o Tribunal Arbitral de Desporto.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

FC Porto é o clube europeu com mais títulos no século XXI

Apagão na Luz vale (no mínimo) multa até 2500 euros

O Benfica incorre numa multa entre 250 e 2500 euros, no mínimo, pelo apagão na Luz no clássico de domingo. A decisão de deixar o estádio às escuras enquadra-se nas infracções leves do regulamento disciplinar, particularmente no artigo 101º, que fala «Da inobservância de outros deveres».

«Em todos os outros casos não expressamente previstos em que os clubes deixem de cumprir os deveres que lhes são impostos pelos regulamentos e demais legislação desportiva aplicável são punidos com a multa de € 250 (duzentos e cinquenta euros) a € 2.500 (dois mil e quinhentos euros)», diz o artigo.

Ora nesse sentido, e de acordo com José Manuel Meirim, o apagão na Luz enquadra-se neste artigo 101º. O especialista em direito desportivo fala em deveres de urbanidade e civismo que não foram cumpridos e cujo castigo por isso mesmo apenas o artigo em causa prevê no regulamento disciplinar.

Por isso, e no mínimo, o Benfica deverá pagar uma multa entre 250 e 2500 euros. No entanto, pode ser mais do que isso. Tudo depende da forma como a Comissão Disciplinar analisar o caso. Isto porque, recorde-se, as forças policiais já disseram que foi posta em causa segurança de pessoas e bens.

Tudo depende, portanto, do que escreveu o relatório do árbitro e da vontade da Comissão Disciplinar em analisar os relatórios policiais e as imagens televisivas. Para já, parece seguro pelo menos que o Benfica será multado. Não é certo, no entanto, que a decisão seja conhecida já esta terça-feira.

CAMPEÕES SEM LUZ: o grito de Hulk perpetuado na História

Hulk lançou o último grito, que marca a longa jornada do F.C. Porto, do relvado do Estádio da Luz, molhado e escuro, à varanda de um Estádio do Dragão dedicado às insónias. Às 4 da manhã, 4 de Abril de 2011, o Incrível puxou pelas gargantas de cinco mil resistentes: «Campeões sem luz!»

O megafone passou de mãos em mãos, num quarto-de-hora interminável. Lá no alto, jogadores alinhados, eufóricos, observando a multidão ofegante, ansiosa por aquele momento. A despedida encarnada, com focos apagados e rega activa, aumentou o sentimento de júbilo.

A Baixa do Porto desistiu primeiro, esvaziou-se de sentido com a Câmara teimosamente fechada e ecos de concentração no Dragão. O F.C. Porto partiu de Lisboa à meia-noite, véspera de dia de trabalho. Os resistentes, com atestados pensados e olheiras em perspectiva, rumaram à alameda que reúne todo o fluxo azul e branco.

A madrugada foi assim:

2h30. Duzentas almas, não mais, no centro da cidade. Copos pelo chão, vestígios de festa rija, corpos rendidos ao cansaço. Entre dois berros, a doce recordação. «O Benfica tentou o mesmo no ano passado. Falhou. Nós conseguimos!»

3h00. Cinco mil na Alameda do Dragão, ao som de músicas da moda e notícias de chegada em breve. A comitiva estava cada vez mais perto. Hulk, Falcao, Guarín, Villas-Boas, Pinto da Costa, vários nomes para repetir a filhos e neto, quando aqueles adeptos recordarem o dia em que o F.C. Porto foi campeão na Luz. Passar-se-ão outros 71 anos?

3h30. O autocarro está aí. Hulk na frente, ao lado de Reinaldo Teles. O 1-2 foi dele, castigo máximo para os três pontos, os últimos de um líder invicto. Roberto ajudara Guarín no primeiro. «Roberto, Roberto, Roberto», gritaram os dragões, parecendo evocar um dos seus.

4h00. F.C. Porto no seu trono, uma varanda com vista para a alegria da massa humana, campeões saudados individualmente, com cânticos personalizados, que os próprios já sabem de cor. Pinto da Costa ouve o seu nome. Acena. Ganhou a aposta. A aposta em Villas-Boas.

4h05. O jovem treinador aparece lá no meio, entre o seu grupo. A rouquidão é mais forte que nunca. Estreou-se a vencer, no seu clube do coração. Como Robson, como Mourinho, as referências do passado.

4h06. André Villas-Boas não resiste. A despedida do Benfica serve de álibi aos excessos. «Allez, Porto, allez, nós somos a tua voz, queremos essa vitória, conquista-a por nós». Ele conquistou. E provocou. «E quem não salta é lampião, allez, allez», atirou o treinador, de fugida, levando a multidão ao rubro.

4h10. É a vez de Hulk. Ele, que dedicara o golo a Sapunaru, os dois réus do túnel da Luz, na última visita. Primeiro, o grito da noite: «Campeões na Luz». Depois, a adaptação livre, a gargalhada em forma de cântico: «Ohhh, campeões sem luz, campeões sem luz, campeões sem luz...»

4h15. A festa foi curta. Quinta-feira já chama, a Liga Europa está aí. Para muitos dos indefectíveis, é baixa garantida, patrões irados pela ausência, um pecado admissível. Cristian Rodriguez fecha o cortejo, quando o grupo regressa ao interior do Dragão. Nos seus braços, um cartaz enorme, afiando o machado de guerra: «Assinei pelo F.C. Porto em cinco minutos».

A noite prolongou-se até ao anúncio do amanhecer. Na Invicta que não dormiu, ele será pesado mas saboroso. O F.C. Porto recuperou o ceptro nacional, foi buscá-lo à casa do histórico rival. Quem esteve lá, vai contar a história para o resto da vida.